O que é o IDE análise
O Índice de Desempenho Econômico (IDE) resume, numa escala de 0 a 100, como cada país se posiciona em relação aos demais em 19 medidas de cinco áreas. É uma análise do site, não um indicador oficial.
As 19 medidas e a direção
| Medida | Área | Melhor quando | Base | Observação |
|---|---|---|---|---|
| RNB per capita (PPC) | Renda | maior | Banco Mundial (WDI) | |
| Crescimento real do PIB por habitante | Renda | maior | FMI WEO (cálculo do site) | média dos últimos 10 anos fechados |
| PIB por pessoa ocupada (PPC) | Renda | maior | Banco Mundial (WDI) | |
| Inflação ao consumidor | Estabilidade | entre 1% e 4% | FMI WEO | média dos últimos 3 anos fechados |
| Desemprego | Sociedade | menor | OIT (ILOSTAT) | |
| Informalidade | Sociedade | menor | OIT (ILOSTAT) | |
| Juros da dívida | Estabilidade | menor | FMI Fiscal Monitor | país em calote (SD ou D) fica com a pior nota |
| Resultado primário | Estabilidade | maior | FMI WEO | média dos últimos 3 anos fechados |
| Saldo em conta corrente | Estabilidade | maior | FMI WEO | média dos últimos 3 anos fechados |
| Índice de Gini | Sociedade | menor | WID | só valores de até 5 anos |
| Taxa de homicídios | Sociedade | menor | Banco Mundial (WDI, dados da UNODC) | só valores de até 10 anos |
| Controle da corrupção | Instituições | maior | Banco Mundial (WGI) | |
| Estado de direito | Instituições | maior | Banco Mundial (WGI) | |
| Qualidade regulatória | Instituições | maior | Banco Mundial (WGI) | |
| Índice de liberdades civis | Instituições | maior | V-Dem | |
| Rating soberano | Estabilidade | maior | S&P Global Ratings | escala da S&P, de D a AAA; nota retirada em calote conta como SD |
| Índice de Desenvolvimento Humano | Sociedade | maior | PNUD | |
| Valor industrial per capita | Indústria e comércio | maior | Banco Mundial (WDI) | |
| Desempenho industrial competitivo | Indústria e comércio | maior | UNIDO |
Por que rating e juros, e não a dívida
O tamanho da dívida, em proporção do PIB, diz pouco sobre o risco que ela representa. Japão e Estados Unidos devem mais que o próprio PIB e pagam juros baixos, porque emitem moeda aceita no mundo todo e têm credores que confiam neles. Outros países devem bem menos e já não conseguem pagar. Por isso a dívida bruta segue no mapa, mas não entra no IDE.
No lugar dela entram duas medidas. O rating soberano da S&P Global Ratings resume o risco de o governo deixar de pagar seus credores, de AAA a D. Os juros da dívida, como fatia da receita, mostram quanto do que o governo arrecada vai para os credores; o site calcula essa fatia com as contas do Monitor Fiscal do FMI.
Um país em calote paga poucos juros porque não paga. Para que isso não conte a favor, quem tem nota SD ou D fica com a pior nota de juros no índice. Quando a S&P retira a nota de um país em calote, como fez com Rússia, Belarus e Venezuela, ele segue como SD até receber nota nova. Países sem nota da S&P ficam sem essa medida.
Por que instituições
Corrupção, insegurança jurídica, regras ruins para quem produz e falta de liberdades pesam sobre investimento, crescimento e bem-estar. Por isso o pilar Instituições reúne o controle da corrupção, o Estado de direito e a qualidade regulatória, dos Worldwide Governance Indicators do Banco Mundial, e o índice de liberdades civis do V-Dem.
Os indicadores do Banco Mundial medem percepção: combinam cerca de 30 pesquisas com cidadãos e empresas e avaliações de especialistas, e diferenças pequenas entre países não são significativas. O Estado de direito mede ordem, contratos e segurança, não direitos individuais, e por isso países autoritários com pouco crime podem ir bem nele. As liberdades civis cobrem essa lacuna. O tipo de regime e a liberdade econômica continuam fora do cálculo.
A segurança física entra à parte, no pilar Sociedade, pela taxa de homicídios: o Estado de direito mede a confiança nas regras e nos tribunais e só capta a violência de raspão. Países com nota boa nele, como Estados Unidos, Costa Rica e Uruguai, têm muito mais homicídios que outros com nota ruim, como China e Indonésia.
Por que o Gini do WID
A desigualdade entra pelo índice de Gini do World Inequality Database (WID). O Gini do Banco Mundial, o mais citado, vem só de pesquisas domiciliares, que costumam subestimar a renda dos mais ricos, e falta em muitos países, como os do Golfo, que não têm pesquisa recente. O WID combina essas pesquisas com declarações de imposto de renda e contas nacionais, e por isso capta melhor o topo da distribuição.
Onde o WID não tem dado do próprio país e só estima pela média da região, a medida fica de fora.
Pilares e pesos
Os cinco pilares entram no IDE com estes pesos:
- Renda: 20%
- Estabilidade: 20%
- Sociedade: 20%
- Indústria e comércio: 20%
- Instituições: 20%
A escala
Para cada medida, a nota de um país é a porcentagem dos outros países que ele supera (países empatados recebem a mesma nota; um país sozinho fica em 50). A nota do pilar é a média das medidas presentes; o IDE é a média ponderada dos pilares.
Quando não calculamos
Cada pilar só conta quando tem pelo menos metade das suas medidas. Sem isso em algum pilar, ou com mais de 6 das 19 medidas ausentes, o país aparece em cinza e sem IDE. Projeções do FMI nunca entram no cálculo; só anos fechados.
Bases e data
- FMI, World Economic Outlook
- FMI, Fiscal Monitor
- FMI, International Trade in Goods by partner country (IMTS)
- Banco Mundial, WDI e QPSD
- Banco Mundial, Worldwide Governance Indicators
- OIT, ILOSTAT
- OCDE, Revenue Statistics
- BIS, taxas de juros dos bancos centrais
- ONU, Comtrade
- UNIDO, CIP
- Heritage Foundation, Index of Economic Freedom
- V-Dem
- PNUD, Relatório de Desenvolvimento Humano
- World Inequality Database (WID)
- S&P Global Ratings
Calculado em 31/10/2026; Dados do FMI de outubro de 2026.
O que o IDE não é
Não mede bem-estar, não prevê crescimento e não substitui a leitura de cada indicador. Pesos iguais entre pilares são uma escolha editorial, publicada aqui para que o leitor discorde com conhecimento de causa.